"Uma vida não questionada não merece ser vivida." (Platão)

Salmos 1
1 Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado!
2 Pelo contrário, o prazer deles está na lei do SENHOR, e nessa lei eles meditam dia e noite.
3 Essas pessoas são como árvores que crescem na beira de um riacho; elas dão frutas no tempo certo, e as suas folhas não murcham. Assim também tudo o que essas pessoas fazem dá certo.
4 O mesmo não acontece com os maus; eles são como a palha que o vento leva.
5 No Dia do Juízo eles serão condenados e ficarão separados dos que obedecem a Deus.
6 Pois o SENHOR dirige e abençoa a vida daqueles que lhe obedecem, porém o fim dos maus são a desgraça e a morte.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

IGREJA, PRA QUÊ IGREJA?


Por Pr. JOSÉ ERNESTO CONTI, um amigo da formação teológica, publicado na revista comunhão. nº 178.

Vivemos dias em que a liderança evangélica está refém de um tipo de crente que tem destruído os cultos nas igrejas. Gastamos muito tempo e dinheiro para agradar a esse “público”, que só quer culto que lhe agrade. Com um bom sermão de autoajuda, com um louvor agradável e com um ambiente refrigerado e gostoso.
Interessante e curioso é que para os católicos o importante é ir á missa. Não importa muito o que fala, se a igreja tem ar-condicionado, se há um bom louvor. O que importa é ir à missa, mesmo que seja às 6h, que tenha que subir um ladeirão, que tenha que pegar três ônibus ou andar 5 Km. O importante é ir à missa.
Não estou fazendo apologia da missa, mas é que na contramão religiosa, os crentes estão avacalhando o culto e, por tabela, a Igreja. Com a proliferação de Igreja evangélicas em cada esquina, tenho percebido que muitos crentes não são mais “apaixonados” por sua igreja como era antigamente. Não enchemos mais o peito para falar da “minha” igreja. Na verdade, parece que há  uma indiferença quanto a pertencer à igreja presbiteriana ou alguma pentencostal, ou batista. Parece até que é pecado falar que é batista ou assembleiano. Hoje, crente que é crente é só crente.
O cristão de hoje está se sentindo um cidadão interdenominacional, ou seja, ele freqüenta onde quer, quando quer ou onde esteja se sentindo bem, onde nada esteja incomodando, nem tenha que fazer alguma coisa na igreja, ou assumir algum cargo, e mesmo que tenha cargo, ele deixa claro que é só por questão de projeção pessoal, e não para fazer alguma coisa. Se o pastor fizer um sermão exortativo, então é que as coisas esquentam e sai reclamando: “já estão pegando no meu pé”.
Como dizem que tudo sempre tem o seu lado bom, fico imaginando qual é o lado bom dessa situação. Sei que igreja nenhuma salva, que todas as igrejas têm falhas, que a liderança muitas vezes atrapalha o crescimento do reino, que algumas têm erros doutrinários e até fazem coisas contrárias ao que está na Bíblia etc. Mas não amar sua igreja é uma falta gravíssima (perde muitos pontos na carteira do céu) . é gravíssima porque a igreja não foi criada para agradar.
Se existe na igreja algo que incomoda, ou alguém que nos chateia ou deixa amargurado, em 100% dos casos, a falha é totalmente minha. Somos nós que precisamos perdoar, somos nós que temos que andar a segunda milha ou dar também a túnica. A nós foi dado o “privilégio” de padecer por Cristo (Fl. 1:29), de nos alegrarmos por sofrer afrontas por causa do nome de Cristo (At. 5:41) ou, na linguagem de Pedro, devemos nos alegrar na medida em que somos participantes do sofrimento de Cristo (1 Pe 4:13).
A maioria dos crentes está naquela classificação de “não levo desaforo pra casa. Jogou piadinha, leva na hora”. O pastor precisa ser sábio e fazer malabarismo para falar algo que precisa, sem deixar ninguém chateado.  Crente chateado fica bicudo e não volta mais. Perdemos totalmente a noção do que é igreja.
Não estamos indo à igreja só para adorar a Deus, mas para que as pessoas ali me tratem como se eu fosse o rei do pedaço, o mais importante no culto. Se não me tratar bem, eu vou embora, não pago o dízimo e largo essa igreja, até porque, pra que igreja, se eu sou é crente?                  

quarta-feira, 30 de maio de 2012

MOTIVAÇÃO E DESEMPENHO


Texto base. João 6:60 Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? João 6:66-69 À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.

Se buscarmos uma aplicação para Motivação e Desempenho, vamos encontrar bastante elementos na área empresarial, treinamento de equipes, vendas etc. Entretanto, quero usar o termo para uma aplicação cristã.

Bom, precisamos refletir sobre os elementos motivadores do Evangelho, aqueles usados por Jesus na condução de sua equipe. Quais eram as recompensas? O que motivava tais homens?

Se faz necessário saber o que lhe motiva a ir à igreja, a estar em comunhão com outras pessoas, a adorar e louvar a Deus em comunidade, a servir a Deus através das atitudes e do amor ao próximo.

Só para ficar mais claro, a motivação está baseada sempre em recompensa, uma gratificação, uma promoção, descontos, até mesmo sua foto no quadro de funcionário do mês.

Agora, infelizmente, na vida cristã os benefícios não são tão imediatos e parece que isto tem feito a diferença no meio eclesiástico, pois fazemos parte de uma sociedade imediatista.

As promessas de Jesus são para vida eterna - “ressuscitarei no último dia” (v.54) - e na verdade isto fica muito longe em relação às expectativas imediatas. Este texto de João 6 é muito rico na aplicação da prática cristã. Nos alerta que não podemos mudar em nada a mensagem do Evangelho. Não podemos diminuir a responsabilidade, o comprometimento e o engajamento dos futuros discípulos - “muitos, pois, dos seus discípulos. Ouvindo a verdade, disseram: Duro é este discurso; quem pode ouvir?"(v. 60, 66)

Ou seja, o que os discípulos estavam dizendo era: estas “recompensas” não nos motivam a continuar a caminhada contigo, Jesus. O engraçado é que todas as vezes que reclamo por não receber imediatamente o que espero, da vida eclesiástica, do ministério, etc., ouço a mesma pergunta: “Você também não quer ir?” (v.67). E então a minha resposta é a mesma de Pedro... e me permito ser lapidado, preparado. Existe uma poesia que diz “Ao andar faz-se o caminho”... de António Machado. Existe um alvo, uma recompensa que só será alcançado por aquele que dispõe ser discípulo de Jesus, motivado a desempenhar o que lhe fora confiado pelo seu Senhor. Ide!

Concluindo, não podemos perder o valor da grande promessa, “Vida Eterna”, tudo aqui é corruptível, nos buscamos algo muito além. Nosso desempenho na proclamação do evangelho comprova nossa fé, a crença nas palavras de Jesus, nos torna não somente “vitoriosos” mais também participantes Dele em Sua dor, sofrimento e ressurreição. Assim, o fazer, o realizar sem esperar recompensas imediatas se torna algo simples e natural, e ouviremos o Vinde Bendito de Meu Pai!

Quem dera muitos voltassem a se motivar com a rica promessa de termos tão somente a vida eterna, teríamos mais discípulos em Sua obra.

Pr. JAYLSON NOGUEIRA





segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Espiritualidade Cristã e a Cultura Narcisista

POR - Ricardo Barbosa de Sousa

A próxima edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), prevista para maio de 2013, propõe a eliminação da desordem de personalidade narcisista, entre outros transtornos de sua lista. Não se sabe ao certo os motivos. O fato é que, quando um “transtorno” se torna padrão de comportamento de uma cultura, ele deixa de ser patológico.
O comportamento narcisista é definido por um sentimento de autoestima elevado, autoabsorvido, com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza e amor ideal; além da crença de ser “especial” frente aos outros. O narcisista costuma explorar relacionamentos interpessoais e tem uma grande necessidade de ser admirado. Guarda sempre fantasias de grandeza e possui dificuldades de empatia. Para um narcisista, a realidade é concebida apenas dentro de seu universo fechado e egoísta.

A internet tem proporcionado uma infinidade de recursos que promovem o exibicionismo e os falsos relacionamentos. Isso tem mudado o comportamento das crianças e dos jovens. Nesses espaços, enquanto muitos se orgulham dos milhares de “seguidores” (admiradores) em sites de relacionamento, outros têm a oportunidade de tornarem-se celebridades. A nudez, seja das emoções ou do corpo, pode ser exibida para quem quiser ver. Tudo isso eleva o senso de importância e o valor que cada indivíduo acredita ter.

No mundo religioso não é diferente. Líderes precisam ter o “seu” ministério, a “sua” visão, o “seu” projeto. É comum encontrarmos pastores frustrados porque a igreja não comprou a “sua visão”. Uma conversão tem maior valor quando narrada por uma celebridade. A identidade cristã ganha mais credibilidade quando estamos vinculados a uma igreja ou a um ministério que leva o nome de alguém famoso. O espaço para a consciência do outro é cada vez menor, uma vez que sou absorvido com a “minha” necessidade de realização.

O narcisismo como expressão do egoísmo e da autoglorificação é tão velho quanto o pecado original -- “e sereis como Deus…”. Logo depois, o ciúme leva Caim a assassinar seu irmão Abel. A cultura narcisista, fortalecida pelo individualismo, pelo consumismo e pela “divinização” do ser, torna-nos temerosos em relação ao “outro”.

Achamos possível criar uma compreensão da existência humana a partir de nós. A realidade passa a ser aquilo que concebemos em nossa consciência, absorvida por nossas carências e fantasias. Muitos chegam a admitir que Deus é um inibidor e um repressor da liberdade e da realização humanas.

Porém, a afirmação divina de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus revela a mais completa e perfeita compreensão do ser humano. Ela reflete o mistério da Trindade, por meio do qual encontramos tanto a singularidade como a pluralidade. Embora cada pessoa divina seja singular, a identidade de cada uma encontra-se íntima e indivisivelmente ligada ao “outro”. O outro é uma realidade constitutiva do ser humano.

O narcisismo da cultura moderna reflete a realidade do pecado. Muitas desordens mentais têm sua origem no esforço humano de querer viver sem Deus -- de ser seu próprio deus. O apóstolo Paulo descreve assim este quadro: “Porque, mesmo tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; pelo contrário, tornaram-se fúteis nas suas especulações, e o seu coração insensato se obscureceu” (Rm 1.21, AS21). Essas pessoas tornaram-se cheias de si, passaram a se admirar mais do que ao Criador, substituíram a verdade pela mentira, e acabaram sendo entregues a toda sorte de desordens mentais e emocionais.

A identidade cristã repousa no batismo. Fomos batizados em um “corpo”. O “eu” solitário e egoísta deu lugar a um “nós” solidário. Não me realizo em mim mesmo, mas no outro, na medida em que me entrego em amor e serviço abnegados. Nenhum membro do corpo existe ou sobrevive por si -- “o olho não pode dizer à mão: não tenho necessidade de ti” (1Co 12.21). Jesus afirmou: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Nossa segurança e liberdade não são encontradas no ser autônomo, mas no reconhecimento de Cristo como Senhor e cabeça da sua igreja e na submissão ao seu governo e ao seu povo.

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

Retorno 2012

Há um bom tempo estive distante do blog, da manifestação teológica, filosófica, sociológica, eclesiástica entre outras, entretanto, não posso me furtar o dever e a liberdade de expressão. Na trajetória da minha formação, a vida e os relacionamentos, a escola, a igreja e também outros, tem me feito novo a cada oportunidade. Bem, estou de volta a este meio de comunicação. Quero agradecer a todos que me cobraram por este espaço, que possamos continuar crescendo e mudando, como diz o Apóstolo Paulo, que a cada dia nos transformemos pela renovação da nossa mente, pela ação do Espírito Santo.    

terça-feira, 17 de maio de 2011

A cidade edificada sobre o monte - Ed René Kivitz

Este mundo vai de mal a pior, e aqueles que acreditam que o mundo vai melhorar precisam ler a Bíblia outra vez. Ou fazer teologia novamente. Quem acredita que "o dia de justiça, o dia de verdade, o dia em que haverá na terra paz, em que será vencida a morte pela vida, e a escravidão enfim acabará" refere-se às possibilidades de estruturação social está iludido.

A teologia da missão integral da Igreja deu passos significativos para que o assistencialismo evoluísse para a solidariedade emancipadora. Na verdade, a bandeira da responsabilidade social da Igreja levantada pelo movimento chamado evangelical foi além do velho paradigma "dar o peixe e ensinar a pescar" e profetizou a necessidade da transformação das estruturas sociais, isto é, lutar pela igualdade de condições entre os pescadores: instrução a respeito de pescaria, acesso aos apetrechos de pesca e às margens dos rios. A visão sistêmica que compreende a interação entre o indivíduo e a sociedade não dá margem para outra postura que não a implicação social da evangelização. Ponto para os herdeiros de Lausanne.

Os discursos a respeito da Igreja como agência de transformação histórica e os apelos para que as cidades sejam conquistadas para Cristo foram, entretanto, inseridos nas agendas dos políticos cristãos, distorcendo o próprio propósito do Senhor Jesus para sua Igreja e seu Reino. Boa parte da chamada Igreja Evangélica brasileira (cada dia gosto menos desta expressão) padece de um crasso erro hermenêutico, a saber, a transposição simples das promessas do Velho Testamento para o contexto social e histórico atual.

Quero dizer que a promessa de Deus ao povo de Israel ("Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu e sararei a sua terra") jamais pode ser aplicada ao Brasil e significar que a terra a ser sarada é a nação brasileira. Deus tinha um povo, e o seu povo tinha uma terra, um projeto de Estado, uma ética social e uma agenda litúrgica em unidade coerente. Isto é, o povo de Israel, habitando na terra da promessa, organizado num Estado regido pela Lei divina em suas múltiplas dimensões e sujeito ao único e verdadeiro Deus, seria luz para todas as nações.

Hoje, Deus ainda tem um povo: a Igreja (e se você ainda acredita que o povo de Deus é a nação de Israel, leia Gálatas novamente). Mas este povo, a Igreja, não tem uma terra delimitada como espaço geográfico, tipo território nacional. Mais do que isso, quando o povo de Deus fala em "organização social", não está falando de um estado de direito, uma ordem social temporal, mas sim do Reino eterno de Deus. E o Reino de Deus não é um reino a ser instaurado na história, mas sim sinalizado na história.

A Igreja não vive sob a promessa de que a sociedade pode ser sarada. A Igreja vive sob o imperativo de oferecer-se ao mundo como humanidade e sociedade redimida, que se estrutura, de maneira alternativa, e através de suas relações internas anuncia profeticamente o Reino que virá. Como aprendi com os evangelicais, a Igreja é responsável por manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino que será estabelecido ali e além. Mas esta manifestação histórica do Reino de Deus, entretanto, não se dá pela cristianização da sociedade ou, como pretendem alguns, pela tomada do poder temporal pela Igreja Evangélica.

A igreja, leia-se comunidade cristã local, é uma cidade edificada sobre o monte, uma luz na escuridão, que, inserida na sociedade corrompida e vivendo em meio a uma geração perversa, que se opõe a Deus e é inimiga da cruz, funciona como um sinal do Reino que virá. Não se iluda, esperando que o Brasil inteiro um dia fique iluminado. Ele, assim como todo o mundo, continuará em trevas. Mas em meio a estas trevas, viva em comunidade, uma comunidade que "vive o que prega para que possa pregar o que vive".

Isso significa que os cristãos devem se recolher de sua inserção social? Eu não disse isso. Aliás, o Senhor Jesus disse que a luz acesa não pode ser colocada embaixo da cama.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quem ama sofre pela alegria - Por John Piper (apesar de extenso, vale ler!)

Amar custa caro. O amor sempre inclui algum tipo de autonegação. Ele com freqüência exige sofrimento. Mas o prazer cristão insiste em que o lucro supera a dor. Ele afirma que há raros e maravilhosos espécimes de alegria que florescem apenas no ambiente chuvoso do sofrimento. "A alma não teria arco-íris se o olho não tivesse lágrimas." A cara alegria do amor é ilustrada várias vezes em Hebreus 10-12. Veja esses três exemplos:

Hebreus 10.32-35

Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições. Em parte fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações, e em parte fostes participantes com os que assim foram tratados. Porque também vos compadecestes das minhas prisões, e com alegria permitistes o roubo dos vossos bens, sabendo que em vós mesmos tendes nos céus uma possessão melhor e permanente. Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão.

Baseado em minha pequena experiência com o sofrimento, eu não teria direito em mim mesmo de dizer que algo assim é possível — aceitar com alegria o saque dos bens. Mas a autoridade do prazer cristão não está em mim, está na Bíblia. Não tenho o direito por mim mesmo de dizer: "Alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo" (IPe 4.13). Pedro pode fazê-lo porque ele e os outros apóstolos foram torturados por causa do evangelho e "retiraram-se da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afronta pelo nome de Jesus" (At 5.41).
Os cristãos em Hebreus 10.32-35 obtiveram o direito de ensinar-nos sobre o amor caro. A situação parece ter sido essa: nos primeiros dias da sua conversão, alguns deles tinham sido presos por causa da fé. Os outros tiveram de enfrentar uma decisão difícil: Devemos nos esconder e permanecer "seguros", ou devemos visitar nossos irmãos e irmãs na prisão e arriscar nossa vida e nossas propriedades? Eles escolheram o caminho do amor e aceitaram pagar o preço. "Vocês participaram do sofrimento dos prisioneiros. E, quando tiraram tudo o que vocês tinham, vocês suportaram isso com alegria" (BLH).

Será que eles saíram perdendo? De forma alguma. Eles perderam bens e ganharam alegria! Eles aceitaram a perda com alegria. Em um sentido eles negaram a Si mesmos. Mas em outro não. Eles escolheram o caminho da alegria. É evidente que esses cristãos foram motivados para o ministério na prisão da mesma maneira que os macedônios (cf. 2Co 8.1 -8) foram motivados a ajudar os pobres. Sua alegria em Deus transbordou em amor pelos outros. Eles olharam para sua própria vida e disseram: "A tua benignidade é melhor do que a vida" (SL 63.3). Olharam para todas as suas posses e disseram: "Temos uma propriedade no céu que é melhor e dura mais que qualquer uma dessas" (v. 34). Depois olharam um para o outro e disseram:

Se temos de perder Os filhos, bens, mulher,Embora a vida vá,Por nós Jesus está,E dar-nos-á seu reino.Martinho Lutero

Com alegria eles "renunciaram a tudo quanto tinham" (Lc 14.33) e seguiram Cristo para a prisão, para visitar seus irmãos e irmãs. O amor é o transbordar da alegria em Deus que atende as necessidades dos outros.

Hebreus 11.24-26

Para gravar bem a lição, o autor de Hebreus cita Moisés como exemplo desse tipo de prazer cristão. Observe como a motivação é semelhante à dos primeiros cristãos no capítulo 10.Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.

Em Hebreus 10.34 o autor disse que o anseio dos cristãos por uma propriedade melhor e maisduradoura transbordou em amor feliz, que lhes custou suas propriedades. Aqui no capítulo 11, Moisés é um herói para a igreja porque seu prazer na recompensa prometida transbordou em tal alegria que considerou, em comparação, os prazeres do Egito como lixo e dedicou se para sempre ao povo de Deus em amor.

Nada aqui trata de autonegação completa. Ele recebeu olhos para ver que os prazeres do Egito eram "por um pouco de tempo", não eternos. Foi lhe concedido ver que sofrer pela causa do Messias era "maior riqueza do que os tesouros do Egito". Avaliando essas coisas, ele foi induzido a dar a Si mesmo pelo esforço do prazer cristão — o amor. E ele passou o resto dos seus dias canalizando a graça de Deus para o povo de Israel. Sua alegria em Deus transbordou em uma vida de serviço a um povo recalcitrante e carente. Ele escolheu o caminho da alegria máxima, não dos "prazeres transitórios".

Hebreus 12.1, 2

Levantamos acima a questão de o exemplo de Jesus contradizer ou não o princípio do prazer cristão, ou seja, que o amor é o caminho da alegria e que devemos escolhê-lo exatamente por essa razão, para não sermos descobertos recusando obedecer ao Todo-poderoso ou enterrando o privilégio de ser um canal da graça, ou desprezando a recompensa prometida. Hebreus 12.2 parece dizer com muita clareza que Jesus não contrariou esse princípio.

Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.

O maior esforço de amor jamais feito foi possível porque Jesus buscou a maior alegria imaginável, que é a alegria de ser exaltado a direita de Deus na assembléia do povo redimido. "... em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz!"

Em 1978 eu estava tentando explicar algumas dessas coisas a uma classe de estudantes universitários. Como de costume, encontrei vários que eram bem céticos. Um dos mais pensativos escreveu-me uma carta para expressar seu desacordo. Como essa é uma das objeções mais sérias levantadas contra o prazer cristão, creio que será útil para outros se eu transcrever aqui a carta de Ronn e minha resposta.

Dr. Piper,

Discordo da sua posição de que quem ama busca seu próprio prazer ou é por ele motivado. Aceito que todos os exemplos que citou são verídicos: o senhor mencionou muitos casos em que a alegria pessoal é aumentada e pode até ser a motivação para alguém amar a Deus ou outra pessoa. Mas o senhor não pode estabelecer uma doutrina sobre o fato de que algumas evidências a sustentam, enquanto não puder mostrar que nenhuma evidência a contradiz.Dois exemplos do segundo tipo: Imagine-se com Jesus no Getsêmani. Ele está para realizar o supremo ato de amor de toda a história. Você anda até ele, decidido a testar a posição que você tem em relação ao prazer cristão. Esse ato supremo de amor não deveria proporcionar grande prazer, abundante alegria? Todavia, o que é que você vê? Cristo está suando terrivelmente, angustiado, chorando. Não é possível encontrar alegria em nenhum lugar. Cristo está orando. Você o ouve perguntando a Deus se não há saída. Ele diz a Deus que o ato iminente será difícil e doloroso ao extremo. Não há um caminho divertido?

Graças a Deus, Cristo escolheu o caminho difícil. Meu segundo exemplo não é bíblico, apesar de poder ter tirado muitos outros dali. Você já ouviu falar em Dorothy Day? É uma mulher muito idosa que dedicou sua vida a amar os outros, em especial os pobres, deslocados, oprimidos. Sua experiência de amar quando não havia alegria levou-a a dizer isso: "O amor emação é algo doloroso e assustador". Não tenho como não concordar com ela. Eu gostaria de saber que resposta você dá a Ronn

Respondi a Ronn na mesma semana, em dezembro de 1978. Dorothy Day já morreu, mas preservarei as referências como eram na época. Por acaso, hoje tenho em Ronn um amigo, alguém que pensa a fundo sobre a cosmovisão cristã.

Ronn,
Muito obrigado por seu interesse em ter uma posição bem bíblica nessa questão do prazer cristão — uma posição que faça justiça a todos os dados disponíveis. Esse também é o meu objetivo. Assim, tenho de perguntar se seus dois exemplos (Cristo no Getsêmani e Dorothy Day no serviço doloroso do amor) contradizem ouconfirmam minha posição.

1) Vejamos primeiro o Getsêmani. Para que minha tese fique comprovada, tenho de ser capaz de mostrar que, apesar do horror da cruz, a decisão de Jesus de aceitá-la foi motivada por sua convicção de que esse caminho lhe daria mais alegria do que o caminho da desobediência. Hebreus 12.2 diz "... em troca da alegria que lhe estava proposta, [Jesus] suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia". Ao dizer isso, o escritor quer citar Jesus como mais um exemplo, além dos santos de Hebreus 11, de uma pessoa que anseia pela alegria que Deus proporciona e tem tanta certeza de recebê-la que rejeita "o gozo do pecado", que dura "um pouco de tempo" (Hb 11.25), para escolher ser maltratada para não deixar de alinhar-se com a vontade de Deus. Por isso, não é errado dizer que o que sustentou Cristo nas horas escuras do Getsemani foi a esperança da alegria além da cruz.

Isso não diminui a realidade e a grandeza do seu amor por nós, porque a alegria em que ele esperava era conduzir muitos filhos à glória (Hb 2.10). Ele se alegra em nossa redenção, que redunda na glória de Deus. Abandonar a cruz, e com isso a nós e a vontade do Pai, era uma possibilidade tão horrível na mente de Cristo que ele a repeliu e aceitou a morte.

Meu artigo sobre "Satisfação insatisfeita", no entanto lera a esse artigo que Ronn estava reagindo; seu conteúdo foi incorporado nesse capítulo], propõe ainda mais: que em algum sentido muito profundo deve haver alegria no próprio ato de amor, para que este possa agradar a Deus. Você mostrou claramente que, para isso ser verdade no caso da morte de Jesus, tem de haver uma diferença radical entre alegria e "diversão". Todos nós sabemos que isso é verdade.Não é justo que você mude de dizer "não há um caminho divertido" no Getsemani para "não é possível encontrar alegria em nenhum lugar". Eu sei que, naqueles momentos em minha vida em que escolhi fazer as boas ações que mais me custaram, senti (com e sob as feridas) uma alegria muito profunda ao fazer o bem.

Eu imagino que, quando Jesus se levantou da sua última oração no Getsêmani com a decisão de morrer, fluiu por sua alma um sentimento glorioso de triunfo sobre a tentação daquela noite. Não dissera ele: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra" (Jo 4.34)? Jesus gostava de fazer a vontade do Pai assim como nós gostamos de comer. Terminar a obra do Pai era o que o alimentava; abandoná-la seria escolher morrer de fome. Eu acho que houve alegria no Getsêmani quando Jesus foi levado — não diversão, não prazer sensual, nem riso, na verdade nada que esse mundo pode oferecer. Mas havia, no fundo docoração de Jesus, um sentimento bom de que sua ação estava agradando seu Pai, e que a recompensa que viria superaria toda a dor. Esse sentimento profundamente bom é o que capacitou Jesus a fazer por nós o que ele fez.

(2) Sobre Dorothy Day você afirma: "A experiência por que ela passou de amar (os pobres, deslocados e oprimidos) quando não restava mais alegria levou-a a dizer isto: 'O amor em ação é algo doloroso e assustador'". Tentarei responder de duas formas.
Primeiro, não se precipite concluindo não existir alegria nas coisas "dolorosas e assustadoras". Há alpinistas que passaram noites sem dormir escalando montanhas e que perderam dedos das mãos e dos pés por causa das temperaturas abaixo de zero, vivendo momentos horríveis para alcançar o cume. Eles dizem: "Foi doloroso e assustador". Mas se você lhes perguntar por que o fazem, a resposta sempre será esta: "Há uma alegria na alma que proporciona uma sensação tão boa que compensa todo o sofrimento".
Se isso acontece com alpinistas, o mesmo não pode valer para o amor? Não é uma prova de como somos mundanos em nossa tendência de sentir mais alegria em escalar montanhas do que em superar os precipícios do desamor em nossa vida e sociedade? Sim, o amor com freqüência é algo "doloroso e assustador", mas não vejo como alguém que preza o que é bom e admira Jesus pode deixar de sentir uma grande alegria quando (pela graça) pode amar outra pessoa.

Agora deixe-me abordar a situação de Dorothy Day de outra maneira. Imaginemos que eu seja um dos pobres que ela está tentando ajudar com muito esforço. Creio que poderíamos ter o seguinte diálogo:
—Por que a senhora está fazendo isso por mim, Miss Day?
—Porque eu o amo.
—O que a senhora quer dizer com "eu o amo"? Eu não tenho nada a oferecer.Não sou digno de amor.
—Pode ser. Mas não há formulários a preencher para receber o meu amor.Aprendi isso de Jesus. O que quero dizer é que eu quero ajudá-lo porque Jesus meajudou muito.
—Então a senhora está tentando satisfazer seus anseios?
—Você pode colocá-lo nesses termos. Um dos meus anseios mais profundos éfazer de você uma pessoa feliz e com propósito na vida.
—Incomoda a senhora o fato de eu ser mais feliz e ter mais sentido na vidadesde que a conheci?
—Deus o livre dessa idéia! O que poderia fazer-me mais feliz?
—Então, no fundo, a senhora passa todas essas noites aqui sem dormir pelo quea deixa feliz, não é verdade?
—Se eu disser que sim, alguém poderia entender-me mal. Poderia pensar que nofundo eu não me importo com você, apenas comigo mesma.
—Mas, pelo menos para mim, a senhora não concordaria?
—Sim, para você eu digo: eu trabalho pelo que me dá a maior alegria: a sua alegria.
—Obrigado. Agora eu sei que a senhora me ama.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

CHAMADOS PARA SERVIR EM AMOR - Por Ronaldo Bezerra.

“Ele deixou-nos o exemplo para que sigamos suas pisadas...” – I Pedro 2:21.

Deus criou todas as coisas com um propósito específico. No livro de Gênesis 1:16, encontramos a expressão, “o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite”, referindo-se ao sol e a lua. Por fim, criou o homem à sua própria imagem e semelhança, estabelecendo também um propósito bem específico para aquilo que poderíamos chamar de “a obra prima da criação”.
Passado o triste episódio do pecado e com o advento do Messias prometido, o homem é devolvido à condição original, só que agora a semelhança do Cristo, acerca de quem o apóstolo Pedro declarou, “ele deixou-nos o exemplo para que sigamos suas pisadas...”.

Portanto, Jesus é o modelo de tudo o que Deus quer que sejamos. Devemos imitar ao Senhor em tudo. Agindo assim, estaremos cumprindo o propósito criacional divino.

A importância do chamado

O chamado é o começo de tudo. Podemos pensar que ele acontece no momento da conversão ou também após (At 9:3-9). De qualquer forma, é uma experiência marcante e decisiva que muda nossa vida e nossa trajetória.

Há alguns casos bem conhecidos na Bíblia como José, Davi, Abraão, Moisés, Isaías dentre outros, e em todos esses casos houve uma mudança radical na vida e trajetória dessas pessoas, ou seja, eles nunca mais foram os mesmos (Rm 8:30).

Novamente, chama-nos a atenção a pessoa de Jesus. Ele tinha muito clara a visão do seu chamado, a ponto de dizer, “a minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (Jo 4:34).

De fato, o chamado de Deus para nós torna-se a razão da nossa vida, “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (II Co 5:14-15). “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10:31).


A importância de ser servo

Antes de pensarmos em serviço ou ministério, precisamos pensar se somos ou não servos. Infelizmente, essa palavra praticamente caiu em desuso. Quase não se ensina a respeito deste assunto. Por essa razão, a maioria dos cristãos não vivem como servos.

O já falecido presidente Abraham Lincoln disse, “quem não vive para servir, não serve para viver”. No livro dos profetas, Jesus é chamado “o Servo do Senhor”. O evangelho de Marcos também focaliza esse perfil de Jesus. Na condição de servo por excelência, em Mateus 4:10, Jesus faz a citação do primeiro mandamento dizendo, “está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás”.

Primeiramente devemos prestar serviço a Deus, e depois aos homens. “... servi-vos uns aos outros pelo amor” (Gl 5:13). O ser servo vem antes do ter um ministério.

A importância do amor

O amor é a essência da vida, é a causa de tudo, é a vida cristã. Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito (Jo 3:16). Não é possível pensar em vida cristã sem amor. Uma não existe sem a outra. O amor é a credencial dos discípulos de Cristo.

A ocasião em que mais nos parecemos com Deus, é quando amamos. “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos” (I Jo 3:16).

Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. Quem não ama a seu irmão está morto e não tem vida eterna. Sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos (I Jo 4:7-8; 3:14).

Jesus foi o maior exemplo de amor. Se definitivamente o imitarmos, o curso da história será mudado. Eu e você fomos chamados para servir em amor. Este é o nosso destino e a razão da nossa existência para a glória de Deus!

Deus abençoe!

Ronaldo Bezerra

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"O Outro Evangelho"

Por Samuel Torralbo - blog Púlpito Cristão


É impressionante o nível de consciência moderada encontrada em Paulo (o apóstolo) com relação ao evangelho de Cristo. Paulo é um exemplo típico de quem entendeu a importância do equilíbrio entre a mensagem apologética que visa a defesa do evangelho, como também a querigmática que prioriza o anúncio simples da mensagem de Cristo.
De modo que, assim como os judeus que trabalharam na reconstrução dos muros em Jerusalém, tinham uma espada para combater o inimigo, e uma pá para a edificação, do mesmo modo, precisamos da pregação apologética, quanto da querigmática, para que, não corramos o risco de apenas defender o evangelho, enquanto menosprezemos o anúncio das escrituras sagradas de maneira simples e contundente.

Porém, no mínimo é empolgante descobrir a veemência com que o apostolo Paulo se utiliza da mensagem apologética, demonstrando-se inflexível diante das diversas correntes heréticas de sua época.

Estou persuadido de que, uma das máximas da mensagem apologética do apostolo Paulo pode ser encontrada nos desafios enfrentados pelos gálatas, que estavam sendo influenciados por heresias e conceitos doutrinários deturpados. Diante da dubiedade doutrinaria o apóstolo Paulo, declarou: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;” Gl 1.6

Paulo sintetiza todas as heresias e contradições como o “outro evangelho”, porém no primeiro século as deturpações doutrinarias eram bem conhecidas e definidas, como por exemplo o docetismo (que afirmava que Jesus não havia nascido de Maria), Ebionismo (afirmava que Jesus era um homem comum, e se tornou messias por cumprir a torá), Adocianismo (pregava que o Filho não era co-eterno com o Pai), de modo que, essas e outras doutrinas enquadravam-se dentro daquilo que Paulo chamou de “outro evangelho”.

Do mesmo modo, “o outro evangelho” continua atuante no mundo pós-moderno, porém com outra roupagem. Uma vez, que a generalização do termo “outro evangelho”, venha ser fragmentado minuciosamente em seus modus operandi, certamente encontraremos as terminologias que define as diversas formas de heresias e enganos que operam atualmente. Observe abaixo, algumas das possíveis terminologias que definem em nosso tempo o “outro evangelho”.

1 – O evangelho hedonista: É aquele evangelho que cultua o prazer. Vale tudo pela felicidade egoísta do homem.

2 – O evangelho Burocrático: È aquela forma de evangelho que sacrifica a simplicidade da graça em Cristo, e condiciona o individuo a campanhas, correntes, performances viciantes, que objetivam no final (que nunca chega) alcançar as bênçãos dos céus.

3 – O evangelho faz de conta: È aquele evangelho que tanto o povo, quanto a líderança se auto enganam, “eu finjo que prego e vocês fingem que acreditam”. Nunca são expostos a verdade.
4 – O evangelho Monopólio: È aquele evangelho que não é mais de Cristo, mas de algum dono surtado de alguma “igreja”.

5 – O evangelho Pague e Leve: É uma antiga forma de indulgencia, onde a benção está sempre condicionada a qualidade da oferta que o fiel entrega.

6 – O evangelho Show: È aquele evangelho que tanto a adoração, pregação e liturgia fazem parte de um show, que celebram a personalidade humana e criam ídolos evangélicos.

7 – O evangelho pragmático: È aquele evangelho que prioriza as leis do mercado, “se está dando certo, então é verdadeiro”, sendo que, nem tudo que parece estar dando certo, é verdadeiro segundo os princípios divinos.

Estou convencido de que, o aumento do “outro evangelho” é iminente no mundo pós moderno que prioriza o imediatismo e consumismo, porém, o chamado de Deus continua o mesmo - que a sua Igreja viva o verdadeiro evangelho de Cristo Jesus com simplicidade e relevância, em meio a um mundo corrompido pelo pecado.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O TEMPO E A ALMA


“Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”
(Salmo 90:12).

Certamente você já deve ter ouvido poesias e canções que diziam que o tempo não para!

“O segundo, não o tempo, é implacável.
Tolera-se o minuto. A hora suporta-se.
Admite-se o dia, o mês, o ano, a vida, a possível eternidade.
Mas o segundo é implacável.
Sempre vigiando e correndo e vigiando.
De mim não se condói, não Pará, não perdoa.
Avisa talvez que a morte foi adiada ou apressada
Por quantos segundo?”

Carlos Drummond de Andrade

Busco entender como os dias passaram tão rápidos este ano, e cada ano parece que é ainda mais veloz. Pode ser pelo momento que estou vivendo. Entretanto é fato que sofremos transformações em todos os aspectos possíveis e inimagináveis, e tudo isso em mega velocidade. A própria Palavra de Deus diz que o “tempo se abrevia”. Todavia, acredito que este tempo cronológico não sofreu e nem sofrerá nenhuma modificação quanto ao padrão de medida do próprio tempo.
Por que será que na correria da vida não conseguimos perceber que esta alteração não está no ritmo do tempo, mas no ritmo da vida? O homem sendo escravo dos próprios desejos, do seu espírito volitivo, das suas vontades, escravo do tempo, que diz que para alcançar é melhor correr, pois ganha quem chega primeiro! Não é assim?
Pensando neste ritmo alucinante, há de concordar que com a diminuição da velocidade amplia-se o campo da visão, ou seja, a percepção das coisas. Então para isso é melhor diminuir a marcha! A velocidade está em proporções relativamente antagônicas, pois quanto menor a velocidade, maior será a percepção, portanto sabedoria!
Não pense que o melhor é ficar parado, pois parado também não há percepção de novas coisas, o campo da visão fica limitado, embora tenha gente que vive muito bem assim. Mas, estou falando em movimentos calculados, pensados, antes ou depois de cada ação, com acertos e também com erros, ou seja, continue em frente!
O Salmista busca fazer uma reflexão profunda deste ritmo, desta velocidade. Muitos têm encontrado o esgotamento, tão somente porque seus corpos não suportam mais este ritmo frenético, e quando isso acontece, o ritmo de suas vidas é modificado por questões fisiológicas, a máquina quebra.
O que nos tem provocado tamanha ansiedade que não conseguimos parar, diminuir a marcha e refletir sobre o nosso dia, a nossa vida, a ponto de adoecermos e até morrermos?
Encontro esta resposta na expressão dita por Salomão “correr ou correndo atrás do vento”, nada seria mais cansativo e infrutífero do que correr atrás do vento, estar sob o controle das vaidades! Tudo é vaidade!
O homem está cada vez mais ansioso. ANSIEDADE é definida como “estado de humor desconfortável, apreensão negativa em relação ao futuro, inquietação interna desagradável, inclui manifestações somáticas e fisiológicas”.
E com o fracasso do que se busca por vaidade entramos em DEPRESSÃO. As síndromes DEPRESSIVAS têm como elementos mais salientes o humor triste e o desânimo. Não percebemos a beleza de cada dia, o dia fica sem cor.
Este momento é reflexivo para muitos. Para alguns realmente este ano passou rápido, são aqueles que gostariam que o dia tivesse 36 horas, para realizarem tudo o que estava em sua agenda pessoal. Mas, para outros o mesmo ano passou de forma vagarosa onde realmente parecia que o dia tinha 36horas, por que as situações perduravam e não se modificavam.
Encontramos sob a ação do tempo homens com características diferentes, uns ansiosos e outros depressivos, tão somente por causa do ritmo do tempo refletido na própria alma.
Para aqueles que vivem em tempos de ansiedade este mesmo tempo passa rápido, pois o mesmo é insuficiente para realizar seus anseios. Para aqueles que estão deprimidos o tempo não passa, a percepção em relação ao tempo é que ele se estende juntamente com a dor, angustia que nunca passa.
A ansiedade está relacionada a questões do futuro e a depressão a questões já vividas, de uma forma simplista e não completa, é claro. Observa agora que o tempo continua sendo o mesmo, a terra continua girando na mesma velocidade, e os dias continuam tendo o mesmo padrão cronológico de medida.
Portanto quando estamos tomados por quaisquer destes sentimentos, estado de humor ou ânimo, ansioso ou depressivo, não conseguimos ajustar nossa alma com o tempo e não conseguimos contar nossos dias para alcançar corações sábios. O que seria o sábio nesta relação? Seria aquele que encontrou equilíbrio entre as questões do coração com o tempo presente, passado e futuro.
O que então está fora de controle? Simples, a alma humana! Descontrolada pelas coisas deste mundo.
A Bíblia nos ensina a lançar nossa ansiedade em Deus, a estarmos fora do ritmo, velocidade, que seriam elementos da forma deste mundo, é o que diz o Apóstolo Paulo. Também de uma maneira direta Deus diz “que precisamos nos aquietar e saber que Ele é Deus” (Salmo 46.10).
O significado de viver em fidelidade ao momento presente, sem retroceder ao passado ou antecipar o futuro, é maravilhosamente ilustrado pela história de um monge que estava sendo perseguido por um tigre feroz.
Ele correu até a beirada de um despenhadeiro, olhou para trás e viu o tigre rugindo e pronto para dar o bote. O monge então notou uma corda que pendia da beira do precipício. Ele agarrou-a depressa e começou a descer a lateral do despenhadeiro agarrado na corda, para escapar das garras do tigre. Que alívio! Essa foi por pouco!
Ele então olhou para baixo e enxergou uma imensa extensão de rochas pontiagudas aguardando 150 metros abaixo. Ele olhou para cima e viu o tigre a postos no alto do precipício com as garras à mostra. Nesse exato momento dois camundongos começaram a roer a corda. O que fazer? O monge viu um morango que se estendia ao alcance da sua mão da face do despenhadeiro. Ele colheu-o, comeu e exclamou: "Que delícia; esse é o melhor morango que já comi na vida". Se ele estivesse preocupado com as rochas abaixo (o futuro) ou com o tigre acima (o passado), teria perdido o morango que Deus estava lhe dando no momento presente.
Concentremo-nos, então, não nos tigres do passado e nem nas pedras do futuro, mas apenas no morango que está aqui, e agora, tendo plena consciência que “este é o dia que o Senhor nos fez, alegremos e regozijemos nele”.

Ensina-nos, Senhor, a contar nossos dias!

Pr. Jaylson Nogueira Pereira.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Indignados ou Inconformados?

Pr. Leandro Mozart

“(...) Não se amoldem (tomem a forma) ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de DEUS”. Romanos 12: 2 Eu tenho me sentido indignado com os rumos que estão sendo tomados em nosso país. Tragédias históricas, desmandos constantes, política de colarinho branco que sempre acaba em “pizza”, falta de liderança moral, ausência de atitudes de caráter, e fundamentalmente, falta de perspectiva de futuro para um povo que ouve dizer que o país está melhor, mas olhando ao seu redor não constata o discurso meramente político e maquiado. Sem dúvida é de indignar o que vêm acontecendo no mundo ocidental capitalista que prima pelo consumo, o conforto e a individualidade, não se sensibilizando mais com a dor do outro, mesmo que esse outro esteja tão próximo. Vamos nos tornando tão indignados e desesperançados com as tendências desta nação e deste mundo que ficamos absortos, acomodados, de braços cruzados e nos entregamos – literalmente desistimos. Paulo, o apóstolo, escrevendo aos cristãos de Roma não pergunta se eles estavam indignados com a sociedade de seu tempo, até porque as mesmas atrocidades sempre se repetem historicamente, ou seja, quem tem poder domina e quem não tem é dominado. Na verdade, Paulo pergunta se aqueles cristãos são inconformados. Isso me intriga. A indignação é algo tão sutil que vai-nos corroendo e nos contaminando, fazendo com que fiquemos amargos. Ela gera a passividade, gera críticos que criticam e fazem apenas isso. A indignação produz gente que não faz acontecer, que não faz nenhuma diferença, que não transforma a sociedade. O apóstolo nos chama à inconformidade. Pois ela produz gente pró-ativa. Gente que se interessa pelos problemas, afinal, deseja resolvê-los. Gente que toma atitudes cruciais que tornam suas vidas melhores e conseqüentemente tornam-se agentes de mudança. Gente inconformada com o mundo (os sistemas de valores) é o que falta no século XXI e, especialmente, no Brasil. Quero deixar de ser um cristão indignado com os desmandos do meu país que ceifa vidas e as tornam apenas números identificados e noticiários de crises passageiras. Quero me tornar um inconformado! Alguém que é agente de mudanças. Quero ser instrumento do poder de DEUS através de uma mente inconformada e em constante renovação para contribuir para a transformação desta sociedade nestes tempos tão difíceis. E você, é um indignado ou inconformado?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

“QUEM EU SOU?”



A pergunta do Mestre é direta: “Quem diz o povo que eu sou?” (Lc 9, 18), ao que eles responderam o que vinham ouvindo do povo: que Ele era João Batista, ou Elias ou ainda algum outro profeta.
Ao ouvir aquelas palavras e perceber como o povo ainda não o reconhecera, Jesus refaz, então, a pergunta, desta vez dirigindo-se diretamente aos apóstolos: “E vós, quem dizeis que sou eu?” Ao que Pedro responde prontamente: “O Cristo de Deus.” (Lc 9, 18-24)

Meu avô dizia que o mais importante não é o que você diz que é, mas o que as pessoas dizem que você é. Embora, apenas as pessoas que nos conhecem de fato, que convivem conosco poderiam dizer com propriedade algo sobre nós. Faço-lhe uma pergunta: O que dizem as pessoas, que convivem com você, a seu respeito? Elas sabem quem é você? Ou você é um daqueles que descreve a si mesmo como uma incógnita, uma encruzilhada no caminho da personalidade, uma bifurcação na estrada da identidade, um elemento ainda não resolvido pelas formulas da física ou da matemática?

A resposta de Simão (Pedro) tem como fundamento sua própria experiência: ele convivia com Jesus e sabia quem seu mestre era e, esse convívio, abrira seu coração à revelação do Espírito, que lhe permitiu dizer, quase que de um estalo: Tu és o Messias!

Estamos vivendo um tempo de dificuldade em saber de fato quem são as pessoas e suas aspirações, pois, se você não percebeu, já estamos vivendo no mundo do “faz de conta”. Do parece ser e do parece ter. As coisas são tão fantasiosas que ficção agora é quase real, está em “3D”. O que seria real e não real neste contexto? Creio que só poderemos entender essa questão, se buscarmos entender o que de fato nos caracteriza como indivíduos, a nossa identidade. Busquei algumas definições para melhor entendermos identidade, é claro que existem muitas outras, aqui faço uso da psicologia social.

* qualidade do idêntico, capaz de reunir um conjunto de fatores próprios e exclusivos a cada pessoa (Hollanda)
* compreensão dos aspectos de ordem objetiva, subjetiva, individual e social (Erikson)
(Kruger) destaca alguns aspetos:
Constitui-se com base em crenças autodescritivas e auto-avaliativas, as quais lhe conferem um caráter dinâmico que permite mudanças. Este sistema de crenças contribui para o desenvolvimento da personalidade e da conduta dos indivíduos.

Nossas ações vão revelar nossa identidade, revelar nossos valores morais e éticos, nossa crença. Neste processo, de acordo com princípios morais estabelecidos, progredimos ou regredimos em nossa conduta. A forma natural é crescimento, esclarecimento, conhecimento. “Aquele que começou a boa obra é fiel pra completá-la”.
Num outro momento, o evangelista João, preso nas vésperas de sua morte, envia discípulos para perguntarem a Jesus se ele era o Messias – Algo sobre sua identidade (Mt. 11:1-6) – e a resposta de Jesus a eles foi: Ide e anunciem a João as coisas que ouvis, “os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho.” Mais uma vez, Jesus destaca que não é o que você apenas diz que lhe caracteriza como sujeito, muito mais o que você faz.
Estamos mesmo vivendo no “país das maravilhas” em todos os sentidos e estâncias sociais. Na religião, na economia (EUA) pode dizer com propriedade, a quebradeira, a crise econômica, poucos imaginavam. “De longe ou no escuro todo gato é pardo”.
Veja agora a Política do nosso país! Neste período da campanha presidenciável (2º turno), não consigo identificar o que é e o que não é de fato real, verdadeiro, na internet então! E não é nem para tentar definir quem é melhor não, passe de mim este cálice! As coisas (candidatos) tomam forma e se refazem de acordo com as suas necessidades, falam o que a maioria apóia, até dizer que acredita em Deus, quem diria uma Marxista de esquerda, ou melhor, agora legitima ambidestra, num país das falácias, engano. Mudam facilmente, talvez possuídos pelo mesmo interesse que houve em Judas Iscariotes. Personalidades e identidades flácidas, Como diria Bauman: fluidos. Bonecos de cera expostos ao calor da busca ao poder.
Confesso que antes estava inclinado pela direita, se é que existe isso no Brasil político com tantas alianças antes impensadas, agora possíveis de acontecer. Comprovam que os interesses múltiplos fracionários estão acima das aspirações antes defendidas como bandeira, ideologia. No naufrágio da ética e da moral, os ratos se salvam agarrados aos destroços da impunidade!
Não podemos, como igreja de Jesus, deixar dúvida quanto a nossa identidade, nossa missão, pois nossas ações precisam condizer com nossa mensagem no mundo do faz de conta, da hipocrisia, da irrealidade.

N’ele que é real e que sabe quem sou eu e quem é você de fato, graça e paz!

Pr. Jaylson Nogueira Pereira


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Fé e Ação... Ação e Fé.

Fé e Ação... Ação e Fé.
Por que ainda não temos encontrado solução para os nossos problemas?

Ou alcançado bênção do Senhor na nossa vida?

A fé sem obras é morta – (Tg. 2: 14 –26).
Existem pessoas que querem um emprego: Que estão clamando a Deus por um emprego, pois querem melhorar de vida. Mas, não se qualificam, não estudam, não fazem um curso profissionalizante, não distribuem currículos, estão esperando em Deus. Estão enfiados dentro de uma igreja tão somente esperando o milagre e não fazem nada para alcançá-lo. Nos relatos bíblicos sobre milagres, observe que sempre uma ação de quem buscava o milagre antecedia o mesmo. O cego grita por Jesus, a Mulher se esforça para vencer a multidão, Naamã tem que ir até o profeta e fazer o que ele diz.
Passemos para alguns assuntos práticos:
Casamento - Na sociedade que vivemos está sendo considerado quase um milagre casar e permanecer casado. Existem pessoas que querem casar: Mas, são pessoas que não sabem, nem possuem o perfil do futuro esposo ou esposa. O que você quer? Se é alto, baixo, gordo ou magro, com qual nível de conhecimento, crente ou não (apesar de não ser garantia nenhuma), e fica pedindo me dá Senhor. É claro que esposo ou esposa não se busca como uma mercadoria de supermercado, contudo se você não sabe o que quer como obter tal coisa, fica pedindo “Deus me dê um namorando, noivo esposo.” Se você não sabe o que quer como Deus vai te dar? (Não recebem porque pedem mal). Entretanto não é só pedir é também agir! Não estou tirando Deus do seu lugar ou diminuindo o seu poder não! O que quero dizer é quê: Deus não vai fazer o que você precisa fazer! Deus não ajuda preguiçoso!
Sem falar que se não sabendo o perfil do futuro pretendente como tal pessoa irá se preparar para conquistá-lo? Também pode haver outro critério além do perfil. O de que qualquer um serve, (desesperadas). Pessoas assim ficam como uma metralhadora humana, dando tiro pra todo lado. Pior ainda é quando não se cuida não se arruma direito, fica parecendo mesmo uma arma de guerra. Pra resolver é só pedir um com problemas de visão. Deus de amor!
A mensagem triunfalista diz: Deus vai te dar... Ah tá! Você que não faça algo pra alcançar não pra ver!
Você esta esperando 1, 2, 3 anos e nada – Você vai ficar esperando! Você precisa de Deus sim! Mais Ele vai abençoar aquilo que você se propõe a fazer! Para derrotar Golias Deus usou a habilidade de Davi, que era o melhor atirador de pedras de Israel. E você quer ser usado? Quer ser abençoado? Quais são as suas habilidades?
Problemas conjugais: Casamento pode ser uma bênção como uma tragédia – depende de duas pessoas. Mas não é impossível.
O homem e a mulher vivem em pé de guerra, não podem se encontrar que sai faísca. E a mulher está clamando a Deus por mudança no esposo – mas quando ele chega em casa, a primeira pergunta que ela faz é “você demorou... você estava onde?” Ele responde: “Preso na 3ª ponte”, mas ela não acredita... e começa ”– você não fala que me ama... você arrumou outra... está me traindo!”
E não vê que suas atitudes contribuem para a destruição do casamento – ainda diz que o Diabo está destruindo o casamento dela. Não! É ela mesma! Também não estou dizendo que o Diabo não está agindo, entretanto, em muitas situações ele nem precisa. Algumas vão buscar solução nesses cultos onde tudo é o diabo, que tem de repreender o Diabo. Tem de repreender a ela mesma. Encher a boca d’água! E o coração de sabedoria! “A rixosa a (casa) destrói com as próprias mãos” (Pr. 14:1).
Outra situação quando ele, o marido, entra em casa, vindo do trabalho – ela está vendo novela, não tem nada para comer e vestida com uma roupa que nem pra bazar serve. E diz que o diabo esta destruindo o seu casamento!
Clama a Deus, mais não percebe que para o milagre acontecer ela precisa mudar! Ela faz parte do processo de restauração do casamento.
Isto também acontece com as mulheres - O homem a trata com grosseria e depois vem encostando, querendo algo mais – e diz que a mulher é que não quer saber mais disso ou daquilo. O cara é igual um cavalo, um troglodita. A mulher vai mandá-lo andar de bicicleta mesmo! O homem não é romântico, não leva um presente, não faz um elogio. Depois vai dizer que o diabo esta destruindo o casamento dele. Tem coisas que Deus não faz e tem coisas que o Diabo nem precisa fazer!
O que dizer daquele que está com problemas financeiros:
A pessoa esta pedindo a Deus que resolva sua vida financeira, mas não pode ver uma promoção na C&A ou na Riachuelo – que divida em 12 x sem juros - que não consegue ficar sem o famoso cartão de credito – gasta mais do que ganha!
Não organiza a própria vida financeira – fazendo uma planilha de custos.
E diz que o diabo esta levando tudo o que ganha. Sabe qual o nome do diabo? Shopping, Cartão de Credito. Comprador compulsivo.
Um dos maiores problemas do homem é a transferência de responsabilidade que faz parte da natureza pecaminosa - Édem.
Você conversa com uma pessoa que não quer se resolver, ela justifica tudo através dos outros!
O eixo central da mensagem triunfalista é – Deus vai te dar a vitória – Jesus já venceu o diabo e te fez um vencedor. Este tipo de mensagem tira do homem a responsabilidade de resolver os seus problemas, transfere para Deus ou para o Diabo os resultados da vida.
O que tem de crente vivendo do mesmo jeito, com os mesmos problemas – porque não se atentaram em resolver primeiramente os seus problemas e buscarem em Deus força para isso. Na igreja triunfalista a demanda de pessoas com problemas é sempre crescente, estas pessoas são incentivadas a buscarem cada vez mais ao Deus que resolve os problemas, e continuam com eles, por quê?
Eu creio, sim, que Deus pode resolver, ou melhor, nos ajudar a resolver nossos problemas – mas partindo da premissa de que eu tenho que reconhecê-los e me esforçar em vencê-los.
O primeiro passo para uma vida transformada é o arrependimento e o segundo passo no caminho do arrependimento é um plano de mudança!
Por que as coisas não acontecem na tua vida, meu irmão? Porque você continua fazendo as mesmas coisas, continua sendo o mesmo! Apesar de orar e buscar a Deus!

Pr. Jaylson Nogueira Pereira

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cristo é mais!

Cristo é mais!

Ricardo Quadros Gouvêa

Há quem pense que o problema de muitos evangélicos hoje seja o seu fanatismo religioso, sua devoção extravagante, sua religiosidade exacerbada. Penso que há aqui um engano, uma interpretação superficial da questão. Até porque tal devoção pode ser amor próprio disfarçado (Cl 2.23), tal religiosidade pode ser um culto ao próprio ventre (Fp 3.19), e tal fanatismo pode ser mera idolatria (Is 1.13-17).
O verdadeiro problema é justamente o oposto disso. É o seu menosprezo para com a pessoa de Cristo. É a maneira reducionista de muitos evangélicos perceberem a Cristo. É a construção de uma espiritualidade neo-pagã em que a pessoa de Cristo é secundária (onde deveria ser central), instrumentalizada em um discurso cujo centro é o consumo de bens espirituais (Mt 6.24, 31-32). O problema de muitos evangélicos é não perceber o tamanho do evangelho de Cristo e quem de fato Cristo é.
Há no discurso evangélico uma presença muito clara do nome de Jesus, mas uma presença que beira à magia, já que se trata de um uso instrumental e ritualístico do nome de Jesus, e que beira à idolatria (pasmem! uma idolatria de Jesus!), pois o nome de Jesus é apresentado desvestido e desencarnado da pessoa de Jesus Cristo, de seu ensino e de seu significado teológico como redentor da humanidade (Mt 7.21).
Quando a Bíblia nos ensina a orar “em nome de Jesus Cristo” (1Co 5.4; Ef 5.20), isso não é uma fórmula mágica que carrega em si poder para realizar milagres. A expressão significa que os cristãos são representantes de Cristo na terra, e por isso devem falar em nome de Cristo, fazendo a oração que ele próprio faria.
Jesus ficou reduzido a isso em boa parte do discurso evangélico: uma palavra mágica, um ícone, um significante cujo significado se tornou propositadamente difuso. Com isso, foi-se esquecendo do verdadeiro Jesus Cristo, o mestre a quem se deve seguir (Mt 11.28-29; Cl 2.8), dos seus ensinos de amor por palavras e atos, da sua pregação sobre o desprendimento e a humildade (Mt 6.25-34; Lc 22.26; Jo 13.1-17), de seu esvaziamento no serviço (Fp 2.5-8).
De fato, há muita extravagância religiosa entre os evangélicos, que vai das coreografias sem profundidade às expressões faciais agônicas; dos discursos inflamados sobre cura e poder à rigidez moralista das propostas de conduta cerceadoras da liberdade em nome de um pudor muito distante daquilo que a Bíblia indica (Mq 6.8; Cl 2.20-23); do dogmatismo que faz de Cristo um mero item doutrinário ao sectarismo individualista que nos faz esquecer as dimensões sócio-políticas da redenção no aqui e agora.
Cristo é mais! O que Cristo pode fazer pelos seres humanos é muito mais do que está sendo muitas vezes apresentado pelos evangélicos e aos evangélicos. Não se limita aos benefícios materiais e curas, mas a uma vida tão plena de sentido e de senso de vocação que os bens materiais e a saúde deixam de ser primordiais.
Cristo é mais! Foi-se esquecendo das dimensões mais profundas da redenção que há em Cristo. Essa redenção ficou reduzida à garantia de uma vida feliz após a morte, à esperança materialista de um céu de recompensas luxuosas (devido a interpretações literalistas dos símbolos bíblicos: Ap 2.10; 21.11), esperança que não indica nenhum desapego, mas antes ressentimento e inveja em relação aos ricos e poderosos. A redenção em Cristo já não é percebida como o resgate de uma vida diferenciada, uma vez que dotada de sentido e valor aqui e agora, na missão, no serviço, no convívio amoroso e no desfrutar da criação divina.
Cristo é mais! O individualismo da modernidade nos fez crer que o dom de Cristo se limita ao que pode fazer por cada pessoa enquanto indivíduo, deixando de lado as dimensões sociais do evangelho, e tudo que ele significa para a nação (Sl 33.12): um futuro melhor para nossos filhos, uma cultura calcada na integridade e na justiça, no amor e na sabedoria, a construção de uma sociedade que vive de acordo com os valores do reino de Deus (Mt 28.20). Em vez disso, vemos que as preocupações éticas e a preparação para a cidadania estão descartadas da pregação e fora do ensino religioso nas igrejas (Is 1.10-17).
Tampouco pode ser Cristo reduzido a mero elemento do sistema doutrinário, como se minha fé incluísse, entre outras, doutrinas acerca da pessoa de Cristo e acerca de sua obra de salvação. Cristo é mais! Ele é o centro de nossa fé. É nele que cremos, em sua vida conosco, na sua presença (Mt 28.20; Jo 14.16-18) e no seu pastoreio (Sl 23.1; Jo 10.11). Ninguém deve se considerar salvo em Cristo porque subscreve à doutrina da salvação pela graça mediante a fé. Mera aceitação de doutrinas é obra meritória de cunho intelectual e ritualista (Rm 3.20, 28). Somos salvos pela graça divina mediante a fé (Ef 2.8-10) na possibilidade de estarmos unidos a Cristo em sua morte e em sua ressurreição (Cl 2.12; 2Tm 2.11) -- uma realidade a ser vivenciada aqui e agora!
Cristo é mais! A redenção em Cristo não se limita ao perdão da culpa dos pecados, à nossa justificação pela união com Cristo em sua morte na cruz, mas se estende à esperança da glória (Ef 1.18; Cl 1.27), à santificação pela presença de Cristo em nós (Rm 6.22; Hb 12.14), que nos torna seus discípulos e imitadores (1Co 11.1; 1Ts 1.6). A fé protestante está centrada na vida do Cristo ressurreto (1Co 15.14, 19; Rm 6.5). Não somos convidados a viver, em Cristo, como penitentes! Antes, a uma vida abundante (Jo 10.10)! Nossa união com Cristo nos leva a viver a sua vida, nos eleva para perto de sua própria estatura espiritual (Ef 4.13), promete nos tornar co-participantes da natureza divina (2Pe 1.4), e nos convida a viver desde já possuídos pela glória de Deus (2Co 3.18) e entusiasmados pelo Espírito Santo (Ef 5.18).
Cristo é mais! Na verdade, é muito mais do que pensamos ou podemos imaginar. Temos que esperar sermos por ele surpreendidos (Ef 3.20), como um leão que não pode ser adestrado, que é bom, mas que não é domesticado (como sugere C. S. Lewis acerca de Aslam), como um tigre que subitamente coloca suas patas dianteiras sobre nosso peito exigindo-nos a nossa atenção para seu poder e sua beleza (como sugere Thomas Howard em “Christ the Tiger”). Por mais que tentemos enlatar a Cristo, condicioná-lo, fazê-lo nos servir, qual gênio da lâmpada, ele nos escapará do controle e nos surpreenderá, porque Cristo é muito mais!
Lamento pelas multidões de cristãos que se esqueceram, que se iludiram, que se deixaram levar por pregações acerca de Cristo e em nome de Cristo que o reduziram a algo ridiculamente menor do que ele de fato é, a um simulacro, um instrumento religioso a serviço de igrejas que são também simulacros de igreja cristã, e que, por esta genuína apostasia (Lc 18.8; 2Ts 2.3), deixam de ser igreja de Cristo para serem igrejas do anticristo, pois o anticristo nada mais é que o simulacro de Cristo (Mt 24.24), uma abominável desolação!
Lamento principalmente pela perda do verdadeiro Jesus Cristo, que pode dar sentido à vida, que pode curar a nação, que pode resgatar a humanidade em direção da sua própria glória, a glória da vida do amor de Deus. Estamos trocando a Cristo por simulacros, pois, ao reduzi-lo a fórmulas mágicas, eclesiásticas ou teológicas, ele se torna menos do que ele é: a presença viva, aqui e agora, da pessoa que me convida a segui-lo, a encarnar o seu próprio Espírito, e abraçar o projeto supremo de viver, nele, a vida eterna e abundante de Deus.

• Ricardo Quadros Gouvêa é pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão, em São Paulo, professor de teologia da Faculdade Unida de Vitória, ES, e do programa de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

É PARA ISSO QUE FUI CRIADO.


É PARA ISSO QUE FUI CRIADO.


PARE E PENSE!

"A entrada para a mente do homem é o que ele aprende, a saída é o que ele realiza. Se sua mente não for alimentada por um fornecimento contínuo de novas idéias, que ele põe a trabalhar com um propósito, e se não houver uma saída por uma ação, sua mente torna-se estagnada. Tal mente é um perigo para o indivíduo que a possui e inútil para a comunidade."
(Jeremias W. Jenks).


“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para todas as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10

Nossa sociedade esta repleta de pessoas que amam o trabalho; sentem-se estimulados e revigorados por ele. Alguns até deixam seu local de trabalho todos os dias sabendo que honraram a Deus por meio de seu trabalho e seu amor pelas pessoas. Mas, quando chegam em casa à noite, poucas sentem o prazer, o sentido e o propósito de vida que viram anunciados em propagandas, comerciais de cerveja ou sistemas de computadores. São pessoas piedosas e conscientes, e agradecidas pelo trabalho, porém não encontram satisfação para a alma nisso.

EM UMA MISSÃO.

Quando o autor do livro de Eclesiastes decidiu determinar o seu propósito de vida, começou acumulando uma grande quantia de dinheiro e acabou descobrindo que isso não proporcionava o sentido que ele esperava. Então buscou poder, conseguiu-o e descobriu que isso também não o satisfazia. Em seguida, veio uma escandalosa busca por prazer. Depois por fama e notoriedade. Finalmente, quando todos os esforços chegaram ao fim, ele disse suas palavras: “Vaidade, vaidade, tudo é vaidade”. Ou, como diz outra tradução: “Tudo isso é correr atrás do vento”.

Não fomos criados para correr atrás do vento. Fomos criados para nos unir a Deus em uma missão. É como se Deus estivesse de luvas para trabalhar. E ele nos chama para arregaçar as mangas e nos ajuntarmos a ele com nossos talentos, nosso tempo e nossa paixão. Ele deseja que sua missão seja a nossa.

O desejo de ser um agente de mudança do mundo está plantado no coração de todo ser humano, e esse desejo vem diretamente do coração de Deus. Podemos sufocá-lo com o egoísmo, silenciá-lo com a conversa fiada de que não podem deixar de ser competitivo ou deixá-lo para trás na rápida trilha que leva a uma realização pessoal. Mas ele ainda está lá. Toda vez que nos perguntamos se a vida se resume ao trabalho maçante que fazemos todos os dias, de horas infindáveis, esse desejo divino se manifesta em nós. Toda vez que ficamos impacientes e insatisfeitos, o desejo sussurra em nossa alma. Toda vez que nos perguntamos como seria uma vida de verdadeiro propósito, o desejo nos chama para algo mais.

ENSINAMENTOS DE JESUS

1 - Quando ele disse que deveríamos “Amar ao Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, alma, mente e força, e ao próximo como a nós mesmos”, ele nos chamava para trocar uma religião ritualizada por um relacionamento de genuíno amor com Deus e oferecer aos outros o mesmo tipo de atenção, honra e compaixão que damos a nós mesmos. A transformação que Deus almeja nos chama a viver de um modo no qual “o amor vence tudo”.

2 – Quando Jesus enfatizou seus ensinos sobre a preocupação com os pobres, os impotentes e os oprimidos, ele descreveu um novo sistema de valores.

3 – Quando disse: "Toma a tua cruz e segue-me", Ele nos dizia explicitamente que segui-lo exige sacrifício, sofrimento e morte de algo egoísta dentro de nós.

4 – Quando disse: "ide por todo o mundo e pregai o evangelho, batizando em meu nome e dizendo a todos o que ouvistes de mim", Ele deixa claro que sua vontade para nós inclui o chamado para a missão em escala mundial. Nosso chamado para amar o próximo como a nós mesmos inclui tanto o vizinho do outro lado do globo como aquele que mora ao lado.

CONCLUSÃO

Atos 13: 36 fala sobre um personagem do Antigo Testamento chamado Davi. O texto simplesmente diz: “tendo Davi servido à sua própria geração, conforme o desígnio de Deus...”. Davi não perdeu tempo correndo atrás do vento. Ele decididamente se dedicou à missão de Deus e morreu sabendo que sua própria vida havia servido ao seu propósito maior.

Toda pessoa que freqüenta uma igreja local tem de fazer uma escolha. Ela pode sentar no lugar de sempre, assistir um bom culto, conversar com os amigos e depois ir para casa. Essa escolha faz parte de uma bela e tranqüila experiência de domingo. Ou ela pode lançar-se em uma aventura, arregaçando as mangas, juntando-se a uma equipe de servos com as mesmas opiniões e ajudando a formar a igreja local da qual Deus a chamou para fazer parte.

UM PARTICIPANTE OU UM ESPECTADOR?

E você? Não é hora de levantar-se das arquibancadas, atravessar alguns bancos, adaptar-se e sair para o campo? Garanto que é muito mais divertido participar do que assistir. Por que ficar vendo os outros mudarem o mundo quando você pode se juntar a eles?

Servir é muito mais gratificante do que ser espectador.


PONTOS DE REFLEXÃO

1- É possível num sistema capitalista servirmos ao próximo por amor e não por interesse?

2- Por que existe em nos (homem) um vazio existencial?

3- Qual tem sido a sua forma de preencher este vazio?


Extraído do livro: A Revolução no Voluntariado. Autor Bill Hybels "Por que as pessoas fazem do servir ao próximo sua razão de viver".

Adaptado por Pr. Jaylson Nogueira Pereira.

Equipe JUMP.